ISLAMABAD e NOVA DÉLHI —Índia e Paquistão anunciam nesta quarta-feira terem trocado ataques aéreos , derrubando aviões militares um do outro. A escalada de tensões sucede um ataque inicial na terça-feira passada por aeronaves indianas contra o território paquistanês, o primeiro desde o período de guerra em 1971, contra um campo de treinamento de militantes islâmicos do grupo Jaish-e-Mohammed (JeM) . Cada lado, entretanto, mantém versões contraditórias sobre os acontecimentos, levando outros governos a pedirem calma.
O ataque da última terça foi uma resposta aos combatentes do JeM, que haviam realizado, em 14 de fevereiro, um ataque suicida que matou pelo menos 40 paramilitares na porção da Caxemira controlada pela Índia. Além dos ataques aéreos nos últimos dois dias, soldados em campo trocaram disparos em mais de uma dezena de localidades.
O Paquistão nega abrigar o JeM, grupo originalmente anti-Índia que forjou laços com a Al Qaeda e está em uma lista de terroristas da ONU desde 2001.
Os governos de Índia e Paquistão se contradizem em diversos pontos ao relatarem quais foram as consequências dos ataques mais recentes. Sobre o bombardeio da última terça-feira, Nova Délhi diz que um grande número de combatentes do JeM teriam sido mortos; mas Islamabad refuta a versão, afirmando que o ataque falhou e não conseguiu provocar nenhuma baixa.
Por sua vez, o porta-voz das Forças Armadas do Paquistão, major general Asif Ghafoor, disse que dois aviões indianos haviam sido derrubados, após terem invadido o espaço aéreo paquistanês durante uma operação de resposta a uma missão aérea de Islamabad contra alvos na Caxemira controlada pela Índia.
Segundo Ghafoor, um dos aviões indianos caiu sobre o lado controlado pela Índia da região, e o outro sobre o lado paquistanês. Desta segunda aeronave, dois pilotos indianos foram capturados, ainda de acordo com a versão do porta-voz das Forças Armadas.
Em relação à missão aérea de Islamabad contra a Caxemira controlada pela Índia, Ghafoor diz que seis alvos estratégicos foram escolhidos para demonstrar a capacidade paquistanesa de responder aos ataques prévios conduzidos pela Índia. O seu relato dá conta de que os militares paquistaneses deliberadamente abriram fogo contra espaços abertos, onde não haveria mortes.
— Esta não foi uma retaliação verdadeira, mas um aviso de que o Paquistão tem a capacidade. Podemos fazer isso (um ataque em reação), mas queremos ser responsáveis. Não queremos uma escalada nem uma guerra — disse o porta-voz em entrevista coletiva.
Também sobre estes episódios a Índia contradiz a narrativa fornecida pelo Paquistão. Raveesh Kumar, porta-voz da Chancelaria indiana, contou outra versão, segundo a qual os ataques aéreos contra seus alvos militares foram "frustrados". Além disso, ele diz que a Índia derrubou um avião paquistanês sobre o território do país vizinho — o que o Paquistão nega — e que Nova Délhi perdeu apenas uma das suas aeronaves, e não duas. O piloto, nas suas declarações, foi descrito como "desaparecido".
— O Paquistão diz que ele (o piloto) está sob sua custódia. Estamos averiguando os fatos — disse o porta-voz da Chancelaria indiana.

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